sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Televisão e a busca dos benefícios ao cidadão

Parece que chegamos ao limite evidente da antieducação, anticultura e antiinteligência da população brasileira na televisão. Esta notícia foi publicada nos primeiros dias de maio de 2003: “O Domingo Legal, programa apresentado por Gugu Liberato no SBT, é o campeão do segundo ranking da campanha ‘Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania’. De acordo com a Agência Câmara, o programa foi o mais denunciado, com 157 reclamações, à Comissão de Direitos Humanos da Câmara. No primeiro ranking, divulgado em fevereiro, também de 2003, o programa que teve maior número de denúncias foi o Eu vi na TV, apresentado por João Kleber, da Rede TV, que neste ficou em 2º lugar com 115 reclamações. Em seguida, com 97 queixas de espectadores, aparece o Big Brother, da Rede Globo, programa que a população considerou de forte apelo sexual”. Após mais de cinco anos alguma coisa mudou? As denúncias fizeram diminuir a baixaria que é contra a cidadania? A campanha ‘Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania’ completa seis anos no próximo mês de fevereiro e pelo que vemos pouca coisa mudou!

Esta é a má-notícia que infelizmente ainda temos que aturar em razão da realidade da televisão brasileira. Quando haverá consciência em favor do crescimento intelectual do telespectador? Quando providências serão tomadas? O Brasil não está querendo ser uma grande potência da economia mundial? Isto já está mais do que batido, mas todos sabemos que uma grande nação começa pela educação e porque a televisão não ajuda? Isso está sendo uma gangorra, alguns programas até tentam levar algo bom a quem está do outro lado da telinha, porém alguns campeões da baixaria, como os citados acima, fazem o contra-peso. Assim não existe como ter crescimento!

Em primeiro lugar, vamos a uma definição de televisão, já que o brasileiro, costumeiramente, faz algumas trocas de papéis: televisão é a transmissão e recepção de imagens visuais mediante sinais eletromagnéticos. Não confundir, portanto, com televisor, que nada mais é do que o aparelho o qual recebe as imagens televisionadas. Tudo bem, tirei do dicionário, mas estão aí as definições.

A necessidade de colocar estes termos em seus devidos lugares mostra-nos a importância deste instrumento mágico, capaz de manipular opiniões numa sociedade através de suas ideologias. A televisão é o meio de comunicação mais difundido no mundo inteiro, no Brasil, por exemplo, poderíamos dizer que atinge aos quase 190 milhões de habitantes. Pois de modo que a tecnologia de transmissão via satélites chegou, também permitiu o alcance da televisão às comunidades isoladas geograficamente. E quanto às pessoas mais carentes financeiramente? Bem, quanto a isso basta observar um bairro pobre de periferia e depois falar qual é a casa que não tem um televisor. Os poucos sem este veículo de comunicação, com certeza, vão até a casa do seu vizinho para assistir ao seu programa predileto. Ah! E o menino de rua fala sobre um brinquedo que gostaria de ter, porque viu na televisão de uma vitrine de loja.

De tanto uma emissora bater na mesma tecla, esta acaba convencendo o indivíduo de que o que é transmitido é verdadeiro, mesmo não sendo. Percebe-se, então, a capacidade de manipulação detida pela televisão, um poder de bitolar a cabeça do mais desavisado, como diz a música: "A televisão me deixou burro, muito burro demais" (Titãs).

As primeiras experiências de TV aconteceram, em 1923, nos Estados Unidos, e a primeira emissora do Brasil foi a TV Tupi (já extinta), que surgia em São Paulo no ano de 1950. Naquela época, as funções da televisão eram informar, orientar e entreter. Hoje, com uma sociedade capitalista em fase de quase total globalização e políticas neoliberais, aparece pelas entrelinhas das emissoras uma nova função: uma briga incessante pelo primeiro lugar na audiência. Juntamente com a TV a cabo - que surgiu no final dos anos 80 -, a TV aberta leva ao ar programas que, alguns deles, agridem a inteligência do público. Tudo pela audiência. É claro que esta concorrência faz parte do negócio, pois junto disto tem o forte mercado publicitário. Mas tudo tem limites e passamos deles há muito tempo.

No Brasil, a Constituição estabelece que a programação deva dar preferência às finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, sempre respeitando aos valores éticos da pessoa e da família. No entanto, as emissoras ainda não podem ser responsabilizadas judicialmente se não os obedecerem. Isto é, existem as leis normativas, contudo não há as leis punitivas. Um absurdo! Ao telespectador que se sentir atingido pela programação resta a alternativa de encaminhar representação ao Ministério Público. Vendo isto, chegamos à conclusão de que se democraticamente e respeitosamente usada, a televisão pode até salvar de grandes malefícios uma sociedade. Mas, em detrimento disto, ela se torna uma arma impune e perigosa em favor da antieducação, anticultura e antiinteligência da população brasileira.

Um comentário:

Mila disse...

Nooooossa....adorei!!!!